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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017 - 07:51

 

Sobre como as pessoas somem

É engraçado, porque tem umas fases que algumas determinadas pessoas são presenças constantes no dia-a-dia, o dia todo. Inconcebível sair pra beber sem chamar ípslon e zê. e assim correm meses a fio. As maiores confidências, conversas pra contar a vida inteira ao redor de um chopp interminável e que, de tão bom, nem esquenta como de costume. Até programas indígenas como acampar no olho do fiofó roxo com duas latas de feijoada e outra que contém um "mix" de legumes tornam-se agradabilíssimos. E por "mix" de legumes entenda pedaços esquisitos de uma batata com antecedentes criminais, ervilhas judiadas, amassadas e pretas, milhos que outrora seriam intragáveis... tudo isso numa água de cor duvidosa, jamais confiável. Mas o acampamento é formidável, até o mala que toca hits dos anos oitenta em um violão ordinário e com uma voz de afinação ainda mais ordinária passa desapercebido.
Mais engraçado ainda é que essas pessoas tão imprescindíveis desaparecem. quase que invariavelmente.
e aquele barzinho "nosso" se torna obsoleto, aquela música deliciosa do João Gilberto e aquela coreografia do latino que se fazia em segredo perdem completamente a graça, no máximo roubam uns risos aleatórios, uns meneios de cabeça nada além de desnecessários, também despertam um saudosismo bobo, uma busca desenfreada, um contato desinteressado com os amigos em comum pra ficar por dentro, só pra saber se aquele seu grande amigo conseguiu aprender a andar de bicicleta, se a tia avó dele ainda padece dos males da labirintite, se aquele primo divertido "de São Paulo" continua fumando maconha desenfreadamente, ou se já atingiu o primeiro milhão antes do trinta anos sendo pastor de igreja evangélica.
o pior é que tanto esforço sempre acaba se transformando num cafezinho. sete anos depois da última vez existe aquela tentativa constrangedora, quase horrenda, de tentar manter o contato, incontáveis "mas... e aí?" são ditos repetidamente na esperança de, quem sabe, voltarem juntos àqueles momentos memoráveis pra, pelo menos, sentir um cheirinho do que era bom. Mas aquela menina magrela e insípida agora virou uma pós-graduanda em arquitetura e, mais do que nunca, conversa com as plantas. só sabe falar de bauhaus e "do design fantáááástico", não importa do que seja. os óculos de aros grossos e pretos são de uma arrogância incalculável e ela vive pelo Bóris, aquele gato, porque agora ela decidiu amar gatos e ser amante da rúcula, siriricas e siriricas em homenagem à soja.
Logo ela, a vedete dos churrascos, que comia até a gordura...

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