Em
sessão tumultuada, plano de carreira e emenda são
retirados da ordem do dia
Emenda
que concede três faltas abonadas a professores foi
pivô de intensa discussão em sessão
de Câmara
Tensão. Essa foi a sensação
que prevaleceu na sessão ordinária da Câmara
de Vereadores, realizada na noite de terça-feira,
dia 18. O clima tenso não ficou apenas entre vereadores.
Os professores e monitores da rede municipal, que novamente
tomaram o Plenário, também mostraram divergência
no que diz respeito à inserção de três
faltas abonadas no plano de carreira, conforme pretende
emenda de autoria dos vereadores Sacilotto e Solange Próspero.
De acordo com o projeto, o professor que não tiver
nenhuma falta ao longo do ano ganha um ponto na progressão
da carreira, além de gratificações.
Para os autores, a emenda visa garantir o ponto, permitindo
ao professor ou monitor que dê três faltas abonadas,
acompanhadas das devidas justificativas.
Parte dos vereadores discutiu rispidamente
entre si. O mesmo aconteceu com parte dos integrantes do
magistério, que também manifestaram, no curso
da sessão, efusivas manifestações de
apoio e repúdio ao posicionamento dos vereadores.
Baseando-se em um abaixo-assinado e em uma
resolução do Conselho Nacional de Educação,
o vereador Miarelli pediu vistas à emenda e ao projeto
do plano de carreira. Apesar de pedir a retirada, o vereador
ressalvou que é favorável à propositura.
Na Tribuna, Miarelli alegou que a concessão de três
faltas abonadas daria direito, com base no princípio
da isonomia, à extensão do benefício
aos demais servidores municipais. O vereador leu a resolução
do Conselho Nacional de Educação, que não
recomenda a concessão de faltas abonadas e salientou
que a CLT, regime jurídico por meio do qual são
contratados os servidores municipais, não prevê
o benefício. Miarelli também apresentou um
abaixo-assinado, que declarou ter mais de 80% de adesão
dos professores, solicitando a retirada da emenda, visto
que a falta abonada seria um privilégio apenas da
categoria. Miarelli solicitou ainda aos vereadores Sacilotto
e Solange que retirassem a emenda para que o projeto fosse
votado originalmente ainda na sessão. A solicitação
não foi atendida.
Os vereadores Sacilotto e Solange rebateram
as argumentações de Miarelli. Solange subiu
à Tribuna e fez dois questionamentos ao público
presente na sessão: a primeira foi se todos foram
consultados na elaboração do abaixo-assinado.
A resposta de quem se manifestou foi negativa. A segunda
foi se o papel estava em branco quando se assinou. A resposta
dos que se manifestaram foi positiva. A vereadora saiu da
Tribuna deixando um sonoro: “ouviram?”.
O vereador Sacilotto disse que sua intenção
é discutir projeto e não política.
Ironizou afirmado que “ouvi cada coisa que preferia
não ter ouvido”, referindo-se ao discurso de
Miarelli. O vereador evocou princípios do direito
trabalhista, como o direito de proteção, que
garante legalidade de dispositivos que beneficiem funcionários,
e que professores têm, constitucionalmente, tratamento
diferenciado. Sobre o abaixo-assinado, Sacilotto afirmou
com veemência que “foi feito à força”
e que não tem cabeçalho (proposição)
em todas as folhas. Ainda sobre o abaixo-assinado, o vereador
arrematou: “Quem fez não sei, mas é
um irresponsável”.
Já os vereadores Fernando Travensolo
e Vladimar Reggiani ponderaram as calorosas discussões.
Vladimar Reggiani levou em consideração os
argumentos e “fatos novos” expressados pelo
vereador Miarelli, mas disse que se for para retirar o projeto
“que ele volte melhorado, caso contrário não
faz sentido a retirada”. Fernando Travensolo pediu
agilidade para o presidente da Câmara na retomada
da votação do plano de carreira. O presidente
Engenheiro Irani Biazotti e o vereador Marinho manifestaram
em discursos serem favoráveis à emenda e ao
projeto.
As vistas foram concedidas por deliberação
unânime do plenário e o projeto não
foi votado. Pivô da discussão, a emenda aditiva
número 004/2006, dos vereadores Sacilotto e Solange,
adiciona o inciso XII no artigo 55 da propositura, concedendo
três faltas abonadas ao professor durante o ano letivo.
De acordo com a redação, as faltas abonadas
serão concedidas “excepcionalmente em casos
de absoluta necessidade devidamente comprovada por documentos,
em decorrência de enfermidade de parentes afins de
primeiro grau, e nos demais casos a serem regulamentados
e especificados por decreto do poder Executivo, dentro do
prazo de 30 dias, a contar da vigência da lei”.
Requisitos
para loteamentos e salário do funcionalismo
O plano de carreira do magistério
monopolizou as discussões dos vereadores na sessão
do dia 18. Apesar disso, dois projetos foram aprovados,
um deles em segunda e última votação.
Trata-se do projeto que concede 7% de aumento aos servidores
e agentes políticos do Executivo, além de
100% de aumento no valor do ticket-alimentação,
que contempla funcionários que ganham salário
correspondente até a referência 10 (R$ 868,00).
O projeto 004/2006, que dispõe sobre
requisitos urbanísticos para loteamentos, já
tramitava pela Casa havia quase dois meses. Foi aprovado
sem modificações e por unanimidade. O projeto
é abrangente e agrega aspectos da lei federal de
parcelamento do solo. Entre outros aspectos, a lei contempla
pelo menos 35% da área de um novo loteamento a ser
destinada ao sistema de circulação, finalidades
institucionais (escolas, praças, creches) e áreas
verdes. Dos 35%, 10% deverão ser destinados a áreas
verdes, 5% para áreas institucionais e o restante
para ruas, rotatórias e tudo que componha o sistema
de circulação. Ao todo, o projeto tem 25 artigos
e inicia a regulamentação do uso e parcelamento
do solo no município. Itápolis ainda não
tem legislação sobre este tema.
O projeto 022/2005, de autoria do Executivo,
que autoriza a prefeitura de Itápolis a fazer intercâmbio
com outras prefeituras da região, foi retirado de
pauta para que sejam realizados mais estudos em torno dele.
Pelos moldes do intercambio, a prefeitura de Itápolis
pode ceder e receber bens móveis por empréstimo
e sem ônus para os municípios envolvidos, por
prazo determinado e não superior a 30 dias.
Também entrou na ordem do dia um
projeto de iniciativa popular encabeçado pela entidade
AMA – Amigos dos Animais e do Meio-Ambiente –
com dispositivos agregando proteção e tratamento
aos animais. A propositura foi retirada pelo presidente
da comissão permanente de Legislação,
Justiça e Redação, vereador Vladimar
Reggiani, para verificação da legalidade de
seu conteúdo.
A sessão de terça-feira também
teve tempo para o uso da Tribuna Popular. A oradora foi
a professora Sônia Madeira, diretora da escola José
Toledo de Mendonça, que falou sobre valorização
do magistério através do plano de carreira.
A próxima sessão ordinária
ainda não tem data definida. Deveria acontecer no
dia 02 de maio. Mas, por conta do feriado do dia 1º,
deverá ser adiada para que a secretaria administrativa
tenha tempo de encaminhar as proposituras aos vereadores
dentro do prazo regimental.