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Domingo, 5 de Fevereiro de 2012 - 04:14

Release 06/2006
Itápolis, 07 de fevereiro de 2006.

Câmara rejeita parecer do Tribunal de Contas

Dois terços dos vereadores reprovam contas do Executivo de 2003

O período legislativo de 2006 começou agitado na Câmara de Vereadores de Itápolis. Na primeira sessão ordinária do ano, realizada na manhã de segunda-feira, os vereadores rejeitaram o parecer do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo – TCE – relativo às contas da Prefeitura Municipal do ano de 2003, gestão Juca Massari, que recomendava aprovação das contas.

Para que um parecer do TCE seja rejeitado, dois terços dos vereadores devem votar contra. Foi exatamente esse o placar: 6x3. Apenas os membros da Mesa Diretora manifestaram-se pela manutenção do parecer: Solange Próspero, Marinho e o presidente Engenheiro Irani Biazotti, cujo voto é contado quando a propositura exige quórum qualificado. Foram contrários os vereadores: Vladimar Reggiani, Fernando Travensolo, João Terrossi, Almeida Galan, Sacilotto e Diolindo Miarelli.

No final ano passado, quando o parecer do TCE começou a tramitar pela Casa, os membros da comissão de Finanças e Orçamento, composta pelos vereadores Solange, Sacilotto e Fernando, elaboraram parecer favorável à aprovação. Em seguida, os vereadores Sacilotto e Fernando mudaram o parecer, recomendando a elaboração de decreto legislativo regulamentando a rejeição, baseados nas exceções apontadas pelo próprio TCE, após estudo mais detalhado dos documentos emitidos pelo órgão fiscalizador. Dentro da comissão, o parecer dos dois vereadores derrubou por maioria de votos o parecer da vereadora Solange.

Na Tribuna, os vereadores Marinho e o presidente Engenheiro Irani Biazotti defenderam a manutenção da aprovação e o vereador Sacilotto manifestou opinião contrária.

Para recomendar a aprovação, o TCE baseou-se nos seguintes números: gastos com pessoal: 32,5% (limite de 60%); gastos com a saúde: 17,80% (mínimo de 15%); aplicação no ensino: 26,61% (mínimo de 25%). Para recomendarem a rejeição, os vereadores embasaram-se nas exceções e apontamentos do próprio Tribunal de Contas como, por exemplo, notas de despesas consideradas impróprias, principalmente com refeições e hospedagens, e problemas com procedimentos de licitação.

Uma vez rejeitadas as contas, a Câmara Municipal remete os documentos ao Ministério Público.

Anulação de decreto das contas de 1998

Assim como as contas de 2003, as contas de 1998 do governo Juca foram rejeitadas. A diferença é que no exercício de 1998 o Tribunal de Contas recomendou a rejeição e a Câmara acatou.

O julgamento se deu no dia 03 de fevereiro de 2004. A comissão de Finanças e Orçamento, na época, não concedeu ao ex-prefeito o direito do contraditório dentro do processo de julgamento. A falta do contraditório culminou na anulação do julgamento, conforme decisão da Justiça, acatando um pedido de tutela antecipada impetrado por Juca Massari. A Justiça se baseou na proximidade das eleições, considerando que, com a rejeição das contas, o ex-prefeito perde o direito de se candidatar a cargo eletivo. Como o julgamento das contas de 1998 não respeitou o princípio do contraditório, poderia haver um dano irreparável. A anulação do julgamento e do decreto legislativo das contas de 1998 foram lidos no expediente da sessão de segunda-feira pelo presidente Irani.

Além do parecer do TCE, a Câmara aprovou em primeira de duas votações o projeto de lei que concede 10% de revisão geral anual aos vencimentos dos vereadores e funcionários do legislativo. O procedimento é previsto no artigo 37 da Constituição Federal.

A próxima sessão ordinária ficou marcada para o dia 21 de fevereiro.

               Flávio Morais

               Jornalista

 

 

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